Uma família na fé em Cristo Jesus

ENTENDES O QUE LÊS? Deus providenciou meios para que compreendêssemos a Bíblia.

Por Judiclay Santos

O Brasil é o segundo maior impressor de Bíblias do mundo! Com um alto percentual de cristãos, multiplicam-se as impressões e distribuição de Bíblias neste país que exporta para outros países de língua portuguesa. Não obstante a quantidade e a variedade de Bíblias, tenho observado que boa parte dos leitores parece não entender o que lê. Percebo, tanto no ministério pastoral quanto na docência teológica, que um expressivo número de cristãos não conhece a mensagem central da Bíblia nem tampouco suas doutrinas basilares. Entendes o que lês? Essa foi a pergunta feita pelo evangelista Filipe a um viajante etíope que estava lendo o livro do profeta Isaías (Atos 8.26-39). Deus providenciou três maneiras para que pudéssemos crescer na compreensão da sua Palavra.
1. A ILUMINAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO. Um dos aspectos da obra do Espírito Santo é comunicar a verdade. Jesus prometeu enviar o Espírito Santo da verdade que nos guiaria a toda verdade (Jo 16.13). Esse ministério de comunicação do Espírito se dá em dois estágios.REVELAÇÃO é a exposição da verdade nas Escrituras. ILUMINAÇÃO é o esclarecimento da mente para compreensão da verdade. Deus nos deu a sua Palavra revelada e nos dá o seu Espírito que nos ilumina para compreendê-la. Sem a revelação não há verdade a ser discernida. Sem iluminação não há faculdade com a qual possamos discernir. Duas coisas são essenciais para compreensão da Bíblia. Primeiro, a REGENERAÇÃO do coração. O homem natural não pode discernir as coisas do Espírito de Deus (1 Co 2.14). A HUMILDADE do leitor também é importante. O orgulho entenebrece a mente humana e a impede de enxergar a verdade (Mt 11.25-26). Observe que Jesus não elogia a ignorância. O ponto em destaque aqui é a atitude aberta, receptiva e livre da criança disposta a aprender. É por causa do espírito altivo que alguns estão “sempre aprendendo, mas jamais conseguem chegar ao conhecimento da verdade (2 Tm 3.7). Devemos todos orar como o salmista: “Abre os meus olhos para contemplar as maravilhas da tua Lei” (Salmo 119.18).
2. A DISCIPLINA NOS ESTUDOS. O Espírito Santo é o nosso primeiro e mais importante Mestre. No entanto, nesse processo de aprendizado não somos inteiramente passivos. É esperado que usemos a razão de maneira responsável. A iluminação do Espírito não substitui o empenho humano. A humildade em busca da compreensão não é incompatível com a disciplina nos estudos. A fé cristã valoriza e respeita a inteligência. Precisamos desenvolver uma fé que vê o intelecto como dom de Deus. Paulo escreveu a Timóteo: “Pondera o que acabo de dizer, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas” (2 Tm 2.7). Paulo está exortando Timóteo a PENSAR. Há pessoas que não entendem a Bíblia porque não pensam. Elas acham que Deus dá o entendimento anulando a mente e desconsiderando a capacidade cognitiva. À medida que meditarmos diligentemente na Palavra de Deus, seremos iluminados para compreendê-la.
3. O MAGISTÉRIO DA IGREJA. O estudo pessoal da Escritura foi um dos valores que a Reforma Protestante resgatou. Roma reivindicava o “magisterium de natureza única”, pois acreditava que somente a Igreja podia interpretar adequadamente a Escritura. Os reformadores protestaram e propuseram o livre exame das Escrituras. Todo cristão, genuinamente nascido de novo, pode ter a sua mente iluminada e compreender a verdade por meio do estudo da Palavra. No entanto, os reformadores não menosprezaram o importante papel da Igreja no plano de Deus de promover instrução aos fiéis. Estudo individual não é a única maneira de aprender. As verdades registradas nas Sagradas Escrituras foram reveladas aos profetas e apóstolos. Esse precioso depósito da fé foi dado a toda igreja. A palavra tradição significa transmissão da verdade do passado ao presente. Ao longo dos séculos, o Espírito Santo tem trabalhado na igreja e através dela. Credos e Confissões, Catecismos e Declarações de Fé foram elaborados pela Igreja para servirem de balizas que protegem o povo de Deus de perigosos extravios. Portanto, é preciso valorizar o ministério de ensino da Igreja. Seu púlpito, suas salas de estudos, seus seminários e conferências teológicas, bem como outros meios utilizados para reunir e instruir os irmãos na fé. Todos os mestres humanos são falíveis, mas isso não deve nos desanimar a aprender com eles. Se os grandes mestres do passado e do presente estão sujeitos ao erro, porque você confiaria apenas em si mesmo? Sejamos como os cristãos de Beréia! Eles aprendiam com o apóstolo Paulo e ao mesmo tempo examinavam as Escrituras buscando compreender a verdade.

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