Uma família na fé em Cristo Jesus

Fome por Deus

Por Nilton Moura

“Então os discípulos de João chegaram a ele, perguntando: Por que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não jejuam? Jesus lhes respondeu: Por acaso os convidados para o casamento podem ficar tristes, enquanto o noivo está com eles? Mas chegarão os dias em que o noivo lhes será tirado, e então jejuarão.” – Mateus 9.14,15

Os discípulos de Jesus não precisavam jejuar porque eles não podiam se entristecer, pois Jesus estava fisicamente com eles. Mas o Pão da Vida disse que os discípulos jejuariam quando ele fosse tirado do meio deles. Por implicação lógica, haveria uma tristeza entre os discípulos quando Jesus não estivesse mais em carne entre eles.

Jesus não se referiu aos 3 dias em que seu corpo estaria morto ou aos 49 dias que antecederam o Pentecostes. Aliás, após o Pentecostes, os discípulos jejuavam. Jesus se referiu a uma tristeza inerente a todo aquele que conheceu a Deus – uma saudade de Deus, como escreveu John Piper em seu livro “Fome por Deus”. Como só é possível ter saudade de alguém que se conhece e só conhece a Deus aquele que nasceu de novo, somente aquele cujo coração foi regenerado pelo Espírito Santo pode sentir saudade de Deus.

A primeira pergunta e resposta do Breve Catecismo de Westminster dizem: “Qual é o fim principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.” O coração regenerado recebe de Deus um desejo pelo próprio Deus de ter satisfação nEle. Mas a natureza caída concorre para impedir que busquemos satisfação em Deus, procurando colocar outras coisas no altar do nosso coração.

O maior inimigo da fome por Deus não é o veneno, mas a torta de maçã. Não é o banquete dos perversos que enfastia o nosso apetite pelo céu, mas o infindável beliscar à mesa do mundo.” (John Piper)

Pode parecer estranho, mas as dádivas de Deus, as coisas legítimas e aparentemente inofensivas, são as mais perigosas, justamente por serem legítimas. Alguns exemplos que demonstram a nossa carência de Deus e a nossa tentativa de nos saciarmos com frivolidades: desenfreadas e constantes consultas ao News Feed do Facebook; ler todo tipo de jornal e assistir vários noticiários para estar bem informado (o que não significa ter entendimento sobre os fatos); falar sobre qualquer coisa, quando não se tem nada para falar, apenas para não ficar quieto; ligar a TV só pra ter um barulho em casa enquanto se faz outra coisa; jogar jogos para passar tempo… E nunca ter tempo para um culto em casa com a família ou um momento de oração e leitura da Bíblia sozinho. Muitos cristãos têm motivos justos para não participarem dos cultos de oração durante a semana em suas igrejas, mas um dos motivos do esvaziamento dos cultos de oração é que a novela e outros entretenimentos estão mais interessantes que o Senhor que dá o salário que paga a mensalidade da TV à cabo.

Tentamos sufocar a percepção da realidade de nossa miséria impedindo o momento de solitude, de silêncio, de reflexão, de reconhecimento do nosso estado miserável, de buscar e esperar o Único que pode nos suprir, mesmo que tenhamos todo tipo de entretenimento ao nosso alcance. Aliás, a palavra entretenimento significa exatamente um estado de distração, desatenção, desconcentração. Não bastasse o mundo sempre hostil ao cristianismo e o fato de termos ainda de lidar com os efeitos da Queda em nossa natureza, não parece ser uma atitude sábia buscar entretenimento, quando, em todo o tempo, o entretenimento nos busca. Quantas vezes nas nossas vidas, sabendo o que temos de fazer, buscamos distração e depois murmuramos que não temos tempo para as coisas sérias e importantes da vida?!

Mudar de direção, sem que tomemos a via correta – buscar satisfação em Cristo -, certamente, apenas trocaremos vícios ou maus hábitos por outros, porque o nosso coração é enganoso e desesperadamente corrupto – uma fábrica de ídolos, como Calvino sintetizou o problema do coração humano.

Ao mesmo tempo que começamos a perceber como nos enganamos e buscamos água em cisternas rotas, que não retêm água, devemos sondar o nosso coração para que não procuremos mudar de atitude com motivações erradas. Corremos o perigo, por exemplo, de sentirmo-nos melhores diante de Deus ou mais espirituais que o nosso próximo. Lembre-se sempre de que é Deus quem produz o querer e o efetuar, não você. Se você está percebendo que precisa mudar de atitude nessas questões, é porque o Senhor está fazendo isso.

Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” – 1 Tessalonicenses 5.21

Apesar de todas as dificuldades que você possa ter nessa área, como eu tenho, não desanime se estiver triste por isso, pois a tristeza segundo Deus é boa, porque gera arrependimento. Lembre-se que as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã, a cada dia que o Senhor fez, que é uma oportunidade de sermos santificados mais um pouquinho. Se você foi salvo por Ele, guarde no seu coração a esperança de que aquele que começou a boa obra em você há de completá-la até ao Grande Dia, conformando-o a imagem do Perfeito.

Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar.” 2 Coríntios 7.10a

Satisfazer-se em Jesus, deixando em segundo plano todas as coisas legítimas que Deus nos dá, incluindo a família, é uma das maiores guerras internas que podemos enfrentar. Sem a graça dos céus, é impossível. Vamos nos humilhar e esperar do Deus gracioso a graça para lutar com nossas misérias e buscar a Sua presença, lembrando sempre que, quando ocorre em nosso coração o desejo de buscar ao Senhor, é Ele mesmo que nos faz desejá-lO.

Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença; buscarei, pois, SENHOR, a tua presença.” – Salmo 27.8

2 Comentários

  1. Esta semana eu ouvi a entrevista do Dr. Rodrigo Pereira da Silva e ele disse algo que é interessante. O criador nos fez com uma necessidade de buscarmos preencher um vazio que há dentro de nós. Até entendermos que este vazio nada mais é que a ausência de Deus dentro de nós. Passamos por vários estágios, e porque não dizer por vários lugares, até que ele nos chame por seu amor e infinita graça, e venhamos a saciar a nossa fome de Deus. Ele está a procura de seus adoradores, para o adorar da maneira que ele deseja.
    Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. João 4:24

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